agenda arquivos
  • por um consumo mais consciente…

    Limpar vidro: Passe uma solução com água e vinagre, e depois use jornal para dar brilho. leia mais!

  • Objetivos

    A construção coletiva dos objetivos do ConsumoSol foi longa e cuidadosa, tal como seu nome e sua marca, correspondendo estes produtos a um acordo em torno daquilo que dá identidade aos seus membros. Embora seja um texto longo, a leitura pode valer a pena, não apenas para conhecer melhor a iniciativa, mas também como ponto de partida para reflexão sobre o mundo que temos e sobre o mundo que queremos…

     

    Constituem Objetivos Da Articulação Ética e Solidária Para um Consumo Responsável:

    1) Promover um padrão de consumo que corresponda ao mínimo necessário para atender a necessidades humanas e dos seres em geral, significativas e relevantes(I), de modo a produzir melhor equilíbrio no acesso a produtos e serviços por todos e com maior grau de conservação ambiental;

    2) Promover produção, comercialização e uso de diferentes produtos e serviços necessários ao atendimento de necessidades humanas e dos seres em geral, desde que garantidas características como:

    • melhor qualidade possível, sendo para tanto necessário estabelecer critérios para cada tipo de produto ou serviço, considerando o conhecimento e os recursos disponíveis para produção, comercialização e consumo destes produtos ou serviços;

    • preço justo, significando aquele que, estabelecido por meio de acordo entre os envolvidos , garanta atendimento equilibrado a todos, do ponto de vista econômico, legal e humano. Constituem aspectos a serem levados em consideração, neste caso, os níveis de remuneração praticados, o respeito a condições trabalhistas, a abrangência do benefício em termos de número de pessoas alcançadas etc.;

    • processo ético de produção de bens/prestação de serviço , sendo garantidos, por meio das práticas e metodologias utilizadas: ausência de exploração de pessoas e de outros seres, transparência e responsabilidade em relação aos resultados diretos e indiretos do processo;

    • adequação aos princípios de conservação da natureza(II) , ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos e serviços (incluindo concepção, produção, comercialização, utilização e destinação pós-uso) , promoção da saúde humana, preservação da diversidade biológica(III) e de processos naturais sustentadores da vida, prevenção e prudência diante dos limites do conhecimento.

    3) Promover a inclusão social para o maior número possível de pessoas, tanto no processo de produção e comercialização quanto no de consumo, com acesso a produtos e serviços com as características propostas;

    4) Dar preferência a produtos e serviços:

    • de origem local , de modo a fortalecer a economia local, passando a abrangências maiores conforme não existam produtos e serviços próximos ou em função de outras prioridades previstas (por exemplo, possibilidade de inclusão, oferta por empreendimento solidários etc.)

    • preferencialmente oriundos de empreendimentos solidários, ou que apresentem potencial para contribuir com a construção de relações solidárias no interior da economia;

    5) Capacitar produtores, fornecedores, distribuidores e consumidores (membros do grupo ou não) para produzir, fornecer, distribuir, adquirir e utilizar produtos e serviços com estas mesmas características;

    6) Favorecer a educação alimentar e o consumo de produtos mais adequados para a saúde;

    7) Incentivar e facilitar a relação ética e respeitosa entre produtores, fornecedores, distribuidores e consumidores, por meio de f idelidade, transparência e integração das atividades destes atores;

    8) Apoiar também empreendimentos que, mesmo atendendo a apenas parte das características previstas, possam vir a melhorar suas condições de funcionamento na direção dos objetivos do grupo;

     

    9) Promover a cultura local , valorizando a diversidade cultural, o conhecimento e a identidade das comunidades tradicionais (IV) nas transações comerciais;

    10) Contribuir para a construção de práticas de produção, comercialização e consumo baseadas em valores que questionem as regras dos mercados vigentes (incluindo os de trabalho, da ciência, da tecnologia, das mercadorias, do dinheiro, da comunicação, da publicidade, da cultura etc.), priorizando: bem estar do ser humano ( vs das corporações), benefício coletivo ( vs apenas individual), ganho social ( vs ganho e acúmulo financeiro), cooperação ( vs competição), prevenção ( vs apenas remediação);

    11) Buscar e consolidar relações com outras iniciativas similares, em redes de cooperação solidária;

    12) Pautar-se, em seu funcionamento, pelos princípios do cooperativismo, como: livre acesso, adesão voluntária, participação coletiva e democrática dos membros, auto-gestão, cooperação e intercooperação;

    13) Monitorar os processos de funcionamento do grupo, permanentemente, por meio de indicadores diversos.

    Notas:

    I Embora ainda seja necessário melhor definir o que seriam necessidades significativas e relevantes, do ponto de vista do grupo, esta indicação foi incluída como referência à preferência do grupo por evitar consumo de produtos e serviços que correspondam mais a itens impostos pela lógica consumista do que necessários para atender necessidades humanas básicas.

    II Conservação da natureza: o manejo do uso humano da natureza, compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a recuperação do ambiente natural, para que possa produzir o maior benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações das gerações futuras, e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral. (SNUC – Lei No 9.985, de 18 de julho de 2000, Art 2 o inciso II).

    III Diversidade biológica: A variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas (SNUC -Lei No 9.985, de 18 de julho de 2000, Art 2 o inciso III).

    A diversidade biológica, no entanto, não se restringe a um conceito pertencente ao mundo natural; é também uma construção cultural e social. (DIEGUES, A. C., ARUUDA, R. S. V. (Orgs) Saberes tradicionais e biodiversidade no Brasil. Brasília: Ministério do Meio Ambiente; São Paulo: USP, 2001.

    IV Comunidades tradicionais se caracterizam pela dependência da relação de simbiose entre a natureza, os ciclos e os recursos naturais renováveis com os quais se constrói um modo de vida; pelo conhecimento aprofundado da natureza e de seus ciclos, que se reflete na elaboração de estratégias de uso e de manejo dos recursos naturais. Esse conhecimento é transferido por oralidade de geração em geração; pela noção de território ou espaço onde o grupo social se reproduz econômica e socialmente; pela moradia e ocupação do território por várias gerações, ainda que alguns membros individuais possam ter-se deslocado para os centros urbanos e voltado para a terra de seus antepassados; pela importância das atividades de subsistência, ainda que a produção de mercadorias possa estar mais ou menos desenvolvida, o que implicaria uma relação com o mercado; pela reduzida acumulação de capital; pela importância dada à unidade familiar, doméstica ou comunal e às relações de parentesco ou compadrio para o exercício das atividades econômicas, sociais e culturais; pela importância das simbologias, mitos e rituais associados à caça, pesca e atividades extrativistas; pela tecnologia utilizada, que é relativamente simples, de impacto limitado sobre o meio ambiente. Há uma reduzida divisão técnica e social do trabalho, sobressaindo o artesanal, cujo produtor e sua família dominam todo o processo até o produto final; pelo fraco poder político, que em geral reside nos grupos de poder dos centros urbanos; e pela auto-identificação ou identificação por outros de pertencer a uma cultura distinta. (DIEGUES, A. C., ARUUDA, R. S. V. (Orgs) Saberes tradicionais e biodiversidade no Brasil. Brasília: Ministério do Meio Ambiente; São Paulo: USP, 2001.